Jornalismo em quadrinhos

Jornalismo em quadrinhos é um segmento relativamente novo no mundo das hqs. Alguns atribuem às obras de Joe Sacco o marco inaugural da categoria. Ele publicou seu primeiro título do gênero, Palestina, em 1994, chegando ao Brasil em 2000. Porém, outras obras o antecederam, apesar de ele ser o principal expoente.

A prática do jornalismo em quadrinhos é bem mais antiga. Alguns estudiosos relatam que data do século XIX. Como a fotografia ainda era relativamente nova, não era fácil obter imagens de fenômenos. Os jornalistas da época então recorriam aos desenhos para retratar algum acontecimento.

Uma questão relevante que se levanta é: tá, mas o que se enquadra como jornalismo em quadrinhos?

Infelizmente não há resposta clara para a pergunta, pois além de algumas obras, como Fax de Sarajevo de Joe Kubert, não serem escritas por jornalistas, temos muitas obras autobiográficas no mercado, mas nem todas são consideradas jornalismo em quadrinhos.

Eu faria o seguinte resumo da ópera: jornalismo em quadrinhos são obras não-ficcionais não necessariamente escritas por jornalistas que retratam acontecimentos históricos, políticos e sociais, mesmo que tenham como foco a vida de um personagem. Já está mais que claro que não se trata de uma ciência exata, mas pegando esses conceitos mencionados já conseguimos separar algumas obras.

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Desenho de Joe Sacco

Voltando novamente a Joe Sacco, ele é um caso que não deixa margem de dúvida. É um jornalista que relata conflitos contemporâneos que ele mesmo presenciou, ou no mínimo entrevistou dezenas de pessoas sobre, depois monta os relatos com base nas informações e ainda os desenha com um realismo impressionante.

Em uma entrevista dada ao Guia do Estudante em 2011, ao ser questionado sobre subjetividade, Joe Sacco respondeu:

– Desenho não pode ser nada além de interpretação. Pode ser uma interpretação com informação, mas o leitor só pode conhecer aquela história através dos olhos de quem desenha. Até fotografia é interpretação: você escolhe o que vai registrar ou não, faz um recorte, escolhe ângulo, tema. Mas desenho é ainda mais interpretação porque você está deliberadamente montando tudo da maneira que você quer. A linguagem dos quadrinhos não é literal, é interpretativa.

Depois ao ser perguntado sobre o ensino e o papel dos quadrinhos, respondeu:

– Bem, faço meus livros para adultos. Mas sei que podem ser lidos por jovens que estão no colégio, na universidade. Sei que os jovens sabem o que é importante, mas que alguns desses temas podem ser difíceis. E quadrinhos são visuais, é uma maneira mais fácil de abordar um assunto e facilitam o entendimento. Os desenhos proporcionam mais intensidade. Pode ser mais fácil, mas não é superficial. Você lê e percebe que há profundidade.

*A entrevista segue na íntegra no final do texto

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Trecho da HQ Maus

Outro caso a se destacar é da obra Maus, de Art Spiegelman, que conta a história de seu pai, um sobrevivente do holocausto na Segunda Guerra Mundial. A HQ traz os personagens antropomorfizados, ou seja, as pessoas transformadas em animais, mas que seguem com características humanas. Essa obra foi o único quadrinho a receber o prêmio jornalístico Pulitzer, mesmo se tratando de um trabalho biográfico.

Os quadrinistas do gênero se dizem confiantes acerca do crescimento desse tipo de reportagem, claro, sem substituir o jornalismo tradicional, mas para complementá-lo. É um universo demasiado interessante para ficar de fora das prateleiras, pois é uma oportunidade de aprender e se aproximar da história de pessoas em situações extremamente difíceis de imaginar.

Algumas obras:

  • Gen Pés Descalços (relatos em mangá sobre um sobrevivente dos ataques nucleares norte-americanos)
  • Reportagens (coletânea de reportagens de Joe Sacco, publicadas pela Cia de Letras)
  • Notas sobre Gaza (uma das principais obras de Joe Sacco, também pela Cia de Letras)
  • Maus (relato histórico sobre o holocausto)
  • Persépolis (autobiografia envolvendo a Rev. Iraniana)
  • Cortabundas (HQ nacional sobre um maníaco que aterrorizou Fortaleza na década de 1980)

Alguns dos novos quadrinistas jornalistas:

Dan Archer: no seu site (www.archcomix.com) ele publica questões políticas e sociais sobre os Estados Unidos e América Central.
Matt Bors: editor do site Cartoon Movement (www.cartoonmovement.com) publica, junto com outros profissionais seu trabalho de jornalismo em quadrinhos sobre diversos países.

Fontes:

Jornal GGN: https://goo.gl/gh80Ie
Guia do Estudante (entrevista com Joe Sacco): https://goo.gl/VVXjhG
Universo HQ (Podcast): https://goo.gl/AzCw8h

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