Resenha: Do Inferno

Hoje vou escrever aqui sobre um dos meus autores favoritos: Alan Moore. O mago britânico é famoso por ter escrito diversas obras consideradas fundamentais para os quadrinhos como Watchmen, V de Vingança, A Liga Extraordinária, histórias de heróis da DC, e…Do Inferno. E é sobre essa que vou tratar no post. E já adianto que, para mim, ela é uma obra de arte em todos os aspectos básicos: enredo, narrativa, arte, relevância. Vou falar sobre cada um deles, mas antes a sinopse:

Essa é a história de Jack Estripador, o mais misterioso e famoso assassino de todos os tempos. Escrita por Alan Moore, o criador de histórias em quadrinhos como Watchmen e V de Vingança, Do Inferno é uma reflexão a respeito da mente enlouquecida cuja violência e selvageria deu início ao século 20. Do Inferno entrou na lista de best sellers do The New York Times, recebeu todos os principais prêmios do mundo dos quadrinhos, elogios entusiásticos de toda a imprensa, foi aclamada como a mais importante graphic novel já produzida.

Do Inferno

Introdução:


Fazendo um rápido contexto histórico antes de entrarmos na análise em si, Do Inferno foi publicada entre 1989 e 1996, inicialmente de forma seriada. A demora foi justificada pela troca da revista em que surgiu para uma publicação independente, além da quantidade de pesquisa que os autores precisaram para finalizar suas mais de 500 páginas.

Em 2001, foi lançada uma adaptação para o Cinema, como o mesmo título, e estrelando Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm e Jason Flemyng. O filme se baseia na HQ e muda bastante coisa no enredo, o que é esperado em uma adaptação.

Enredo:


O próprio tema dela já desperta interesse de cara. A história de Jack Estripador – o mais antigo serial killer da história moderna – é um mistério sem solução até os dias de hoje. São várias as versões sobre a identidade do assassino que matou e mutilou cinco mulheres na Londres do séc. XX. Alan Moore conta a sua versão da história.

Mas não pense que foi tudo da cabeça dele. O autor pega uma das teorias sobre a identidade e trabalha em cima dela, realizando um trabalho de pesquisa colossal (tudo documentado no final da obra – vou retomar a esse ponto posteriormente). Todo o enredo é escrito e desenhado levando em conta como seria a Inglaterra da época, utilizando personagens reais (e alguns inventados também). Enfim, a premissa é muito interessante, mas ela não se sustentaria se a narrativa não fosse boa.

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Narrativa:


Pra mim, esse é o ponto alto da obra. É na narrativa, na maneira de se contar o enredo, que separamos autores com boas ideias de bons profissionais. E bons profissionais de gênios. É preciso de muito estudo, treino e experiência para contar uma história da melhor maneira possível. O melhor roteiro do mundo não se sustenta sozinho.

E bom, Alan Moore não é considerado um gênio por nada. Contar Do Inferno tendo que lidar com inúmeros personagens históricos, com diversos fios de narrativa, com a construção do mistério central, a introdução e desenvolvimento de cada personagem complexo…Olha, cansa só de pensar. Mas é ali que o velho barbudo brilha.

A história flui muito bem. Os personagens centrais – no caso a identidade do assassino e o chefe de polícia responsável pela investigação – são muito bem trabalhados. Começamos a história pelo ponto de vista de “Jack” (não é esse seu nome, mas estou evitando spoilers). Vemos sua infância, sua iniciação na medicina e na maçonaria e suas motivações para os crimes. É tudo tão convincente que você entende o que levou ele para esse caminho.

Quero destacar um ponto chave no início da história. Em um dos capítulos somos levados para um passeio de charrete para diversos pontos históricos de Londres. Em cada um deles o personagem vai explicando a relevância do local e destrinchando sua visão de mundo para outro personagem. No fim dela, tanto o leitor quanto o segundo personagem estão assustados com o poder do discurso do protagonista. É algo tão forte que chega a dar náuseas. Nunca aconteceu isso comigo em nenhuma outra obra.

Arte:


Bom, se Alan Moore merece todos os elogios, eles devem se estender para o artista. Eddie Campbell igualmente é genial nesta obra. Sua arte é toda preto e branco. Mas é o preto e branco mais escuro que já li. Os desenhos traduzem o quão sombria a história é – casam muito bem com o texto. É um traço que no começo gera desconforto, mas depois que você percebe que a história também gera desconforto, entende como ele é perfeito no contexto.

E vale destacar a pesquisa histórica absurda que ele fez para retratar a arquitetura (um dos temas importantes da obra). É algo admirável, uma aula visual de história. Toda a quantidade absurda de detalhes presentes no roteiro também está presente nos desenhos.

Relevância:


Bom, deixei essa parte por último porque ela complementa as outras três. Aqui falo de relevância no sentido de herança para o mundo dos quadrinhos. Do Inferno é o que é não só pela genialidade de quem escreveu e desenhou, mas pela quantidade absurda de horas que ambos desprenderam em pesquisas históricas.

Há um apêndice no final da HQ em que Alan Moore destrincha, praticamente página por página, porque resolveu contar o que está ali. O que é fato histórico, o que ele presume que aconteceu e o que ele realmente inventou, está tudo documentado. Todas as fontes que ele se baseou, os livros que leu…enfim, é sensacional.

Para mim, a maior relevância de Do Inferno é muito clara (e não só para os quadrinhos): Enquanto houver artistas geniais, podemos ter obras fantásticas.

Agora, quando a genialidade encontra o trabalho duro de pesquisa…bom, aí teremos obras de arte.

Quem se interessou pela Do Inferno, ela está disponível na Gibiteria. Lembrando que é uma obra adulta, com muita violência narrativa e gráfica…como toda boa história de serial killer deve ser.

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