Hip Hop Genealogia: Música, Quadrinhos e História

Eu gosto de pensar que História é algo muito legal. O que é chato, muitas vezes, é como ela é apresentada. Nem sempre livros de mais 500 páginas são interessantes para todos os públicos. História, como ramo do conhecimento, não precisa vir sempre em livros e documentários. Basta um autor talentoso para acontecimentos ganhem uma boa narrativa e passem de apenas História para uma boa história.

Esses pensamentos aparecem na minha mente quando vou falar de Hip Hop Genealogia. Quando o autor escolheu tiras ao invés de um livro para contar a história do Rap, ele perdeu em espaço e profundidade, mas ganhou demais na estética e na originalidade. Seu trabalho é maravilhoso – não a toa ganhou um Eisner, a maior premiação de quadrinhos do mundo – e merece ser conferido.

O responsável pela Hip Hop Genealogia é Ed Piskor, um artista americano de 35 anos. Toda obra começou no site Boing Boing, em forma de tiras. As primeiras delas foram compiladas em forma de livro em 2013. E é esse volume que a editora Veneta lançou aqui no Brasil no fim do ano passado. Confere a sinopse:

A história do surgimento do hip hop em forma de quadrinhos, Hip Hop Genealogia foi direto para a lista dos mais vendidos do The New York Times, foi aclamado pela crítica de quadrinhos e também a crítica musical. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Eisner Awards, o mais importante dos quadrinhos norte-americanos.  Agora o livro chega ao Brasil em uma edição luxuosa, com prefácio do Emicida.

 

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As tiras foram publicadas no site até 2015, e compiladas em quatro volumes até o momento. A produção não chegou ao fim, apenas está pausada porque o autor resolveu se dedicar a outros projetos no momento. A primeira edição foca nos anos  1970-1981, e conta o surgimento do rap e como ele passou de um movimento urbano e local para uma força internacional que gera milhões de dólares todo ano. Os demais volumes, ainda não publicados aqui no país, cobrem o período de 1981-1983, 83-84 e 84-85, respectivamente.São vários os motivos para indicar esta obra. Claro que os fãs de hip hop nem precisam de mais razões, porque é um material imperdível. Quem gosta de quadrinhos que contem histórias reais de períodos históricos, é outra ótima pedida. Mas mesmo quem não se encaixa nesses exemplos deveria considerar dar uma conferida na obra.

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Primeiro por conta da sua narrativa. O formato de tiras que se sustentam sozinhas mas que juntas contam uma grande história é algo que gosto bastante. Permite dinamismo  na leitura e facilidade no entendimento. Vale ressaltar que há muuuuita pesquisa dentro de cada página, para que tudo seja retratado da forma mais fiel possível.

O segundo grande motivo é a arte. Você já deve ter notado pelas fotos do post que o autor tem um estilo visual bem peculiar. As páginas tem um efeito de antiguidade, com cores amareladas, que combina muito bem com a temática. Os desenhos tem cores chapadas e vibrantes, que casam bem com a coloração do volume. Em resumo, é tudo muito bonito.

Muito legal a iniciativa da Editora Veneta em trazer esse material para o Brasil. Algo muito legal que aparece na sinopse é o prefácio do rapper brasileiro Emicida. Vou colar um trecho, mas quem quiser ler a versão completa ela está disponível aqui:

“Ed Piskor é um nerd — um gênio nerd que eu adoraria conhecer. Ao ler Hip Hop Genealogia, eu só pensava que ele uniu minhas duas paixões adolescentes em um só material. Seu livro é um trabalho minucioso, de precisão cirúrgica, feito com o amor e o talento que só um fã autêntico é capaz de dedicar ao objeto de sua admiração. Talvez, para as novas gerações, seja difícil imaginar um mundo sem a cultura hip hop. Na introdução da minha primeira mixtape, eu disse “quando os caminhos se confundem, é necessário voltar ao começo”. Vivemos um tempo confuso, estranho, e nada melhor para restabelecer nossos valores do que olharmos para os primórdios e nos lembrarmos do caminho certo.”

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Ficamos na torcida pra que a Editora Veneta continue a publicação dos demais volumes – e que Ed Piskor retome a produção das tiras nos próximos meses. Para quem fala inglês, o autor deu uma entrevista muito interessante para a revista Time sobre seu primeiro volume:

Se você ficou interessado na aquisição, temos a obra disponível aqui na Gibiteria.

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